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Direto dos anos setenta... |
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Escrito por Túlliu Borba
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Dom, 26 de Outubro de 2008 18:21 |
Relíquia: Direto dos anos setenta, Artur da Távola critica as motocicletas...
Tendo iniciado a sua carreira como cronista, o hoje senador Artur da Távola (PSDB-RJ) é bem conhecido nos meios de comunicação. Sua coluna sobre televisão no jornal O Globo tinha grande repercussão e influiu decisivamente para a vida pública do "da Távola". Ele escreveu também para a extinta revista "Fatos e Fotos", da Bloch Editores, proprietária do também falecido Grupo Manchete. E veio de lá esta pérola do Senador, um artigo destemperado entitulado “Dez razões pelas quais a motocicleta é uma síndrome de enfermidade urbana.”
Num momento em que no mundo inteiro esse veículo é incentivado como alternativa ao caos urbano, o texto do senador é tão delirante que chega a ser engraçado. Então, vamos a ele, é ver, ou melhor, ler, para crer...
"A motocicleta como meio de transporte é uma exceção egoística, individual e anti-social . Ela como sintoma revela as doenças sociais. Eis o diagnóstico, em 10 pontos:
1º – É o meio de transporte mais antisocial (?) que existe, por ser o que pode levar o menor número de pessoas em cidades congestionadas, necessitadas de democratizar o transporte público.
2º – Ela não possui um sistema de proteção e segurança correspondente à velocidade que desenvolve: é portanto o mais perigoso dos meios de transporte. Para mim ela é uma arma em forma de aparente transporte (?).
3º - Ela dá uma idéia de privilégio a quem possa tê-la; chegar primeiro, andar mais depressa, ser mais vivo, mais esperto, rápido e efetivo que os demais; ela consagra não o equilíbrio e o pluralismo necessários da vida urbana congestionada e rarefeita, mas a exceção, o privilégio, favorecendo exclusivamente quem pode pagar (?).
4º - Ela opera sobre os mecanismos mais falíveis do homem; seu gosto de deslizar (?) e pela velocidade. Ela seduz exatamente por ângulos infantis (?) que jamais se apagam da personalidade das pessoas.
5º – Ela ilude as pessoas principalmente numa fase da vida em que necessitam de atitudes externas de afirmação. Daí adorarem o barulho que conseguem fazer e aquela espécie de fantasia que distingue os seus usuários, blusões de couro, luvas, capacetes, etc. Tudo isso faz a pessoa se sentir diferente da média. Ela é portanto discriminatória através da sensação de originalidade (?).
6º - De descarga aberta ela consegue ser o veículo automotor que mais barulho faz. Um motociclista com descarga aberta pode molestar cerca de trezentas mil pessoas de cada vez(!?!). É portanto um veículo destrutivo dos demais como forma de encapar a autodestruição desejada por seu usuário(?).
7º - A motocicleta é o veículo de equilíbrio mais difícil e precário, sendo absolutamente inviável para locomoção com chuva(?).
8º - Raros são os motociclistas há muitos anos (?), o que comprova o caráter passageiro, superficial, mero realizador de fantasias arcaicas, onipotentes e infantis de seus usuários(?). Também a criança briga pelo brinquedo que, meia hora após conseguir, colocará de lado.
9º - Na escala qualitativa das motocicletas, há uma pirâmide invertida altamente prejudicial a uma cidade: quanto menor e pior o veículo, mais barulho faz(?).
10º - A motocileta é um veículo para cidades com outro tipo de motoristas, de ruas e de formas de dirigir. Por serem como são, elas excitam a agressividade dos motoristas de carro que não têm em relação a elas o respeito devido. Eles entram em estúpida competição com elas, dificultando-lhees a passagem, jogando o carro em cima, comportando-se, em suma, de maneira agrssiva e quase assassina, fato que, embora lamentável, soma-se, desgraçadamente,às razões pelas quais andar de motocileta é um grave risco de vida, jamais o ilusório prazer imaginado(?).
O nível de saúde mental e de justiça social numa cidade está na razão inversa do número de motocicletas que ela tem(?). E o nível de enfermidade é tanto maior quanto mais motocicletas haja de descarga aberta."
E aí, conseguiram parar de rir? A nossa parte predileta é exatamente o final, onde o autor diz que "O nível de saúde mental e de justiça social numa cidade está na razão inversa do número de motocicletas que ela tem". Pobre Florença, então! Em que pese ser uma das mais belas cidades do planeta, é também a mais débil mental, com seus milhares de scooters e motos. Davi, obra prima de Michelangelo e um dos monumentos mais visitados desta cidade italiana, deve estar corado de vergonha...
E olha que ele escreveu isso em uma época em que as motos existiam em número infinitamente inferior aos dos dias de hoje! Será que a opinião do respeitável Senador mudou dos anos 70 para cá?
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